21 de junho de 2014

Seleção da Espanha parou no tempo em 2010.

“Certas derrotas têm mais
dignidade que uma vitória"
J.L. Borges
        
 A eliminação precoce da seleção espanhola na Copa do Mundo do Brasil quatro anos após a mesma ter sido campeã mundial na África do Sul causou surpresa ao mundo do futebol. Aquela que foi a grande sensação do futebol mundial durante alguns anos caiu após duas derrotas, uma delas com acachapante goleada para a mesma Holanda da final de 2010.
Na minha opinião o selecionado espanhol parou no tempo em 2010. Ao erguer a taça no último mundial, a seleção da Espanha deveria ter sido entregue a Pepe Guardiola, o mago que revolucionou o futebol do Barcelona e o fez ser admirado ao redor do mundo no futebol.
Além da troca de treinadores e de mentalidade, a Espanha deveria ter investido na formação de novos talentos para poder substituir Iniesta, Xavi, Xabi Alonso, Davi Villa, Casillas, Puyol, etc.
Basta olharmos para os dois clubes mais ricos e poderosos da Espanha – Barcelona e Real Madri para percebermos que ambos gastam milhões para trazer jogadores estrangeiros para seus plantéis ao invés de investirem parte desta fortuna em novos talentos espanhóis nas suas bases de formação de novos jogadores.
Com exceção da ascensão do Atlético de Madri nas mãos do técnico argentino Simione e da conquista da Copa dos Campeões pela Real Madri este ano, o futebol espanhol vem experimentando um forte declínio desde 2010.
Além das duas derrotas em dois jogos neste mundial no Brasil, vimos a Espanha fazer um gol e levar sete enquanto seu treinador ficava impassível e completamente impotente no banco de reservas assistindo a eliminação da sua seleção campeã.
Os jogadores pareciam abatidos e sem força para qualquer tipo de reação nas duas derrotas contra Holanda (1x5) e Chile (0x2), algo impensável para qualquer fã do bom futebol praticado pela fúria espanhola nos últimos anos.
Enquanto isso Pepe Guardiola leva seus conhecimentos e a prática de um futebol moderno, arrojado, impetuoso ao Bayern de Munique na Alemanha, hoje mais do que nunca favorita ao título mundial no Brasil.
Essa situação vivida pela Espanha em menor escala também acontece no selecionado brasileiro. Desde 1994 na Copa dos EUA, o Brasil ganhou duas edições. Porém, está nas mãos de Zagallo, Parreira e Felipão desde então, com exceção de 2010 quando Dunga o capitão da seleção de Parreira em 1994, foi escolhido como treinador. Um festival de mais do mesmo que pode ser interrompido caso o escrete brasileiro perca a copa no país este ano.
Não vejo comparações entre os selecionados da Espanha e do Brasil, até porque o Brasil ainda é um celeiro de grandes revelações de jogadores para o mundo do futebol. Porém, tanto quanto Vicente Del Bosque, Felipão também está ultrapassado e parou no tempo em 2002. Não tendo conquistado praticamente nada neste longo período, com exceção a Copa das Confederações no Brasil em 2013.
Embora não se dê a devida atenção, a formação de jogadores é a única salvação para a manutenção do futebol mundial, formar novos jogadores e mais importante do que qualquer outro tipo de investimento que se possa fazer dentro ou fora deste esporte.
A Espanha deveria aprender a lição, talvez o faça, mas para dar o primeiro passo, deverá se livrar de seus arcaicos dirigentes na sua confederação. Assim como o Brasil deveria ter feito antes de manter José Maria Marin e Marco Polo Del Nero à frente da CBF.
São mentes arcaicas, que nunca estiveram participando do esporte, que desconhecem regras, são administradores ultrapassados e de qualidade duvidosa como homens e gestores. Jamais teremos evolução ou renovação enquanto a direção for entregue nas mãos de pessoas desprovidas de bom senso e interesse no bem comum.

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