26 de junho de 2014

Carnaval, Copa e Eleições num mesmo ano!

                                                                           “Estude as frases que parecem
certas e coloque-as em dúvida"
David Riesman
        
 A cada ano par no Brasil temos novas eleições, no primeiro são eleições locais, municipais, onde elegemos o Prefeito e os Vereadores de cada um dos mais de cinco mil municípios brasileiros. Dois anos depois chega a vez de votarmos para Presidente, Governador, Senador, Deputados Estaduais e Federais. Acontece que nestas eleições temos a Copa do Mundo que também é de quatro em quatro anos e o carnaval que é anual.
O que muda? Muda tudo, pois o país praticamente fica parado no Poder Legislativo de janeiro a dezembro. Janeiro e Julho por férias dos congressistas. Março à Maio tiram para fazer coligações, acertar as suas bases e seus futuros trampolins eleitorais. Junho e Julho parada da Copa do Mundo + Férias. Agosto à Novembro é destinado às eleições propriamente ditas. Dezembro é fim de ano e eles não vão trabalhar justamente nesta época de festas.
Embora em menor quantidade o Poder Executivo sempre refém do Legislativo e seus parlamentares acabam entrando na onda e executando muito menos do que nos anos em que não há esta coincidência de eventos. O Poder Judiciário, bem, este tem muito o que fazer, milhares de processos empilhados empoeirando nas prateleiras e não depende de Copa nem de eleições para não cumprir suas metas.
O trabalhador com carteira assinada tem trinta dias de férias e olhe lá quando pode desfrutar. Aproveita alguns feriados e no mais rala o ano inteiro para poder receber as quirelas de seus salários baixos sem maiores benefícios.
Os trabalhadores da chamada “Informalidade”, que não estão registrados e vivem à margem da sociedade no que tange aos benefícios do INSS (Salário Desemprego, Salário Família, Licença Maternidade, Auxílio Doença, Aposentadoria, etc.) ralam em dobro e não sabem o que é férias, licença, etc.
A indústria embora sucateada e sem investimentos, assim como a Agricultura e o Setor de Serviços sustentam o PIB, carregam o país nas costas e não param para Copa, Feriados, nem nada supérfluo que possa diminuir sua produção.
Como se pode ver, quem não trabalha no Brasil não são os operários, comerciários e demais categorias profissionais, mas sim os políticos, que além de não trabalhar ainda praticam atos ilícitos, desviam verbas, atrasam medidas a favor do povo, obstruem as pautas das casas onde trabalham (Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas e o Congresso Nacional). Além de consumirem anualmente com salários, benefícios indevidos e muita mordomia mais de R$ 100 bilhões de reais dos cofres públicos.
Temos no Brasil a pior e mais nefasta classe política do mundo. Nossa nação recomeçou seu processo de redemocratização em 1985, ou seja, tem vinte e nove anos de vida. Tempo curto se comparado a democracias europeias e dos EUA. Porém, mais do que suficiente para que houvesse uma depuração completa evitando que pessoas desqualificadas para exercer mandatos no Legislativo e no Executivo fossem seguidamente eleitas.
Caso contrário a cada quatro anos, vamos ter muito samba, futebol, corrupção e vagabundagem no país do futuro.  

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