24 de setembro de 2013

Um prefeito brasileiro na ONU!

A vaidade é o caminho mais curto para
o paraíso da satisfação, porém ela é,
ao mesmo tempo, o solo onde a
burrice melhor se desenvolve.
Augusto Cury

Fico curioso e ao mesmo tempo apreensivo para saber e entender o porquê das viagens de autoridades brasileiras a ONU – Organização das Nações Unidas. No último mês de setembro o prefeito da cidade de Bauru esteve naquele órgão para participar de um evento. A escolha talvez seja porque ele é vice-presidente da associação de prefeitos do país, não por ter realizado em seis anos de gestão algo significativo para ser levado a ONU.

O prefeito representou todos os prefeitos do país na assembleia do Global Compact Leaders Summit 2013 – Arquitetos de um mundo melhor. Por que não levar arquitetos renomados, engajados para discutir assuntos relacionados à sustentabilidade? Prefeitos? Sim, concordo, no resto do mundo eles são importantes, deve ser por isso, talvez, mas no Brasil, apenas representam alto custo e retorno quase zero.

Fico pensando sobre as experiências que nosso prefeito levou ao encontro de governantes de outros países. Penso muito e não encontro nenhuma que me possa encher de orgulho caso ele tenha explanado a plateia presente.

Ao contrário sei o que ele vai omitir dos presentes. Como por exemplo:

1. Viaduto inacabado com custo progressivo;
2. Mais de seis mil casos de Dengue;
3. Leishmaniose;
4. Obras paradas para construção da Estação de Tratamento de Esgoto, mesmo com recursos disponíveis;
5. Transporte público caro e ineficiente;
6. Saúde pública que já matou cerca de seiscentas pessoas em cinco anos;
7. Descumprimento de promessas de campanhas como por exemplo à construção de uma ou mais pistas de skate para jovens da cidade;
8. Reforma de avenidas de grande fluxo de trânsito como Rodrigues Alves por exemplo;
9. Definição de um Plano de criação de alternativas viárias para atender o forte crescimento da expansão imobiliária;
10. Ausência de Planejamento para atender o crescimento urbano, como, por exemplo, a questão da destinação do lixo orgânico e reciclável.

São apenas dez questões para não alongar demais, pois os prefeitos brasileiros e o bauruense não fogem à regra, centralizam poder, dividem cargos e comissões com pessoas de partidos e não tecnicamente qualificadas como deveria ser em qualquer gestão pública. 

Que prefeito brasileiro poderia falar sobre os seguintes temas sem receio de estar mentindo: a) Mobilidade Urbana? b) Licitações de grandes obras realizadas sem resquício algum de improbidade ou quaisquer suspeitas em seu processo? c) Saúde e Educação de Qualidade? d) Planejamento Viário? e) Saneamento Básico e Tratamento de água e esgoto? f) Gestão moderna, transparente e eficaz?

Eles não pensam a cidade, não discutem com a sociedade aquilo que tanto interessa a elas como a criação de novos empreendimentos imobiliários, plano diretor, projetos de novas obras e enfim o planejamento do que é essencial ao cidadão. Sendo assim, a viagem a ONU será com certeza a passeio, nada mais.

Exceto se nosso prefeito tiver humildade para aprender com experiências bem sucedidas de outros prefeitos ao redor do mundo, onde a honestidade e o trabalho pelo bem comum são regras e não exceção como no Brasil.

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