7 de agosto de 2013

As muitas estátuas de Bauru!

A tortura de uma consciência culpada
é o inferno do ser vivo. John Calvin

Nos últimos dias um advogado se dizendo indignado com a colocação de uma réplica da estátua da liberdade na frente de uma loja de departamentos em Bauru conseguiu mais de mil assinaturas para tentar a retirada da mesma do local. Não existe lei que a proíba, não existe nada que a prefeitura nem a loja possam fazer. Afinal de contas, ela é marca da loja e está em vários outros municípios brasileiros.

O caso foi parar nos jornais de grande circulação nacional, em sites famosos e como não poderia deixar de ser, fez com que a cidade virasse chacota nacional de um dia para o outro. Como sempre nestes momentos, surgem oportunistas que querem aparecer mais do que o assunto, então pegam carona e deixam normalmente as coisas ainda piores. Neste caso, um cidadão sugeriu que ao invés da réplica fosse colocado uma estátua da cafetina Eni dona de um bordel famoso na década de ’60.

Pena que estes indivíduos todos envolvidos nesta questão tão secundária não tivessem feito esforço para criticar, se indignar com as outras tantas “Estátuas” de Bauru. São várias e algumas delas merecem nossa atenção, como por exemplo:

1. Estátuas para os acusados em fraldar milhões da saúde pública de Bauru e do SUS na Falcatrua do Hospital de Base;

2. Estátua para as vitimas nos corredores da saúde pública aguardando leitos comuns ou em UTI que não aguentaram a inércia e falta de vontade política do Estado e do Município e vieram à óbito;

3. Estátua para os envolvidos na obra e custo eterno do Viaduto inacabado;

4. Estátua para os buracos que transformam as vias de Bauru num imenso queijo suíço;

5. Estátua para a cracolândia e a falta de solução para os casos de menores e demais drogados espalhados pela cidade longe do Poder Público e de uma solução a curto prazo;

6. Estátua para o mosquito Aedes Aegypti que já matou, já levou a Dengue a um patamar de recordes sucessivos em Bauru.

Muitas pessoas, uma grande maioria vive alienada das questões sociais e de controle do poder público em seus municípios. Uma outra parte significativa perde tempo com bobagens, discussões inúteis, gasta esforço e saliva à toa. Sobra sempre uma minoria envolvida em projetos sérios de cidadania, controle social, transparência e combate à corrupção.

Esta pirâmide precisa urgentemente ser invertida, para que não mais percamos tempo com discussão sobre estátuas de lojas e propostas recheadas de iniquidade para fazer bustos de cafetinas. A saúde pública é o primeiro assunto onde deveríamos dispender nossos esforços.

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