10 de fevereiro de 2012

Isto não era para nós, disseram os deputados!

Um profissional de uma grande empresa estatal de SP foi substituído ao final de sua gestão na empresa. Era diretor administrativo e precisava de um cargo numa grande empresa pública ou teria de voltar e ficar encostado em sua empresa de origem.
 
Depois de algumas tentativas frustradas e de outras que não lhe serviam profissionalmente, foi convidado para ir a Brasília para uma entrevista com um dos ministros com mais poder naquela ocasião.

A expectativa era das melhores e ele estava ansioso por chegar ao Distrito Federal e sair daquele sufoco em que se encontrava.

Na data e horário marcado, lá estava ele junto com dois deputados de SP, um estadual e o outro federal, para tentarem uma indicação numa diretoria administrativa de uma empresa estatal federal do setor de telefonia.

A tensão estava no ar, ele estava muito preocupado, nunca tinha participado de uma reunião com um ministro e aquela movimentação política de Brasília o assustava um pouco.

Mas após um café no aeroporto do DF, seguiram de carro até a esplanada dos ministérios e foram para o gabinete do ministro que os aguardava em sua sala.

Chegando lá no gabinete, foram recebidos pela secretaria do ministro que pediu que os mesmos aguardassem alguns minutos, pois o chefe estava com seus assessores em reunião. O tempo não passava para o angustiado rapaz.

Cerca de meia hora depois foram convidados a entrar na sala imensa do ministro. Algumas amenidades foram jogadas ao ar como forma de descontrair o ambiente, algumas reminiscências foram relembradas entre os deputados e o risonho ministro até que o assunto que os levara até aquela sala começasse a ser abordado.

Antes de qualquer coisa os deputados enalteceram as virtudes do candidato a uma vaga, disseram de sua competência e lealdade. O ministro ouvia atentamente sem interromper aos seus interlocutores, o candidato suava frio e aguardava o desfecho.

Em seguida, de forma aberta, sem rodeios, o ministro disse o que esperava daquele que viesse a ocupar o cargo numa diretoria administrativa de uma empresa do setor de telefonia que vivia seus últimos momentos pré-privatização. O setor inteiro foi privatizado em 1998.

Numa de suas explanações ele disse que quando ocupou cargos em estatais fez chover recursos. Que desta forma, não aceitaria nada menos que uma forte tempestade de quem viesse a ocupar o cargo que estava vago que cuja responsabilidade de preenchimento era justamente daquele ministro.

A conversa terminou, todos saíram e retornaram ao aeroporto sem que dissessem nada importante a respeito da visita ao ministro. Ao chegarem ao aeroporto, foram para uma sala reservada e os parlamentares então disseram ao candidato a vaga:

_ Somos experientes e você nos conhece bem, entretanto, esqueça esta vaga, isto que o ministro deseja está muito acima da nossa “capacidade”. Não temos condições de dar a ele o “retorno” que ele espera. Isto é coisa para cachorro grande.

Entraram no avião, retornaram a São Paulo, nunca mais falaram do assunto. O ex-diretor continuou desempregado até que conseguiu uma colocação numa grande empresa nacional. Os deputados nunca mais se elegeram a cargo público.

Ah o ministro conseguiu nomear um diretor com o perfil que ele queria, o seu candidato fez chover torrencialmente enquanto a empresa não foi vendida...

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