Seguidores

1 de abril de 2026

Um espetáculo mambembe deplorável no Congresso!

  

Imagem - Sinasefe.

Os políticos bolsonaristas Alfredo Gaspar (PL-AL), relator da CPMI do INSS e o senador Carlos Vianna (Podemos-MG) presidente da comissão parlamentar mista de inquérito, mostraram ao país a inutilidade completa dos políticos de direita no Congresso.

Como as evidências apontavam para a participação criminosa de agentes públicos, políticos e empresários de direita nos crimes praticados contra aposentados no INSS que desviaram bilhões, estes elaboraram um relatório esdrúxulo, sem nenhuma consistência onde dispararam contra pessoas inocentes ou sem provas de participação nos crimes.

Ao mesmo tempo, o relatório capenga, deixava de fora os verdadeiros envolvidos na consecução dos roubos perpetrados contra o INSS e os aposentados e pensionistas. A dupla Debi e Loide colocou no relatório o nome do filho do presidente Lula (Fabio Luís Lula da Silva – Lulinha) numa demonstração clara e inequívoca de parcialidade e de demonstração de brincadeira para com a sociedade.

Os políticos dos partidos de extrema direita pediram a CPMI do INSS, porém, ao perceberem que o envolvimento dos colegas de partido era evidente e que toda roubalheira começou na gestão de Jair Bolsonaro, com seus ministros Onix Lorenzone e Paulo Guedes sendo facilitadores do processo, resolveram tentar desesperadamente incriminar pessoas ligadas ao governo.

Entre 2019 e 2022, medidas aparentemente técnicas alteraram profundamente os mecanismos de controle sobre descontos realizados diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas. A principal delas foi o fim da exigência de revalidação periódica das autorizações para descontos associativos. Na prática, abriu-se uma brecha perigosa: uma vez autorizado - muitas vezes de forma fraudulenta - o desconto poderia seguir indefinidamente, sem qualquer conferência.

O atual mandato da Câmara e do Senado se transformaram numa enorme 5ª série, onde os políticos brincam com as coisas serias do país e da sociedade brasileira. Não há seriedade, não há busca pela verdade, não há decoro, reina a absoluta anarquia baseada em dois pontos: Ideologia barata e Fake news.

Sendo assim, na madrugada deste dia 28 de março, por 19 votos a 12, o colegiado derrubou o relatório que pedia o indiciamento de 216 pessoas, entre elas Fábio Luís Lula da Silva, o banqueiro Daniel Vorcaro, o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e os deputados Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e Gorete Pereira (MDB-CE).

Ao final, a Comissão foi encerrada sem relatório aprovado, e o país perdeu tempo e dinheiro e os culpados saíram momentaneamente ilesos. A direita dá gargalhada na cara do povo, o mesmo povo que os elegerá novamente em outubro/26.

Após a rejeição do parecer, o presidente da CPI, senador Carlos Viana, recusou-se a colocar em votação um texto alternativo apresentado por parlamentares da base governista. Com isso, a comissão foi encerrada sem a aprovação de qualquer relatório final — um desfecho incomum para CPIs no Congresso Nacional.

A proposta alternativa dos governistas previa cerca de 170 indiciamentos, incluindo o do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de organização criminosa, improbidade administrativa e furto qualificado contra idosos. No entanto, esse documento sequer foi analisado pelo colegiado.

Sem consenso político e com forte divisão entre governo e oposição, a comissão encerrou suas atividades sem produzir um documento final aprovado — deixando em aberto as conclusões formais sobre as investigações conduzidas ao longo de seus trabalhos.

Definitivamente não existe chance alguma de CPI ou CPMI prosperar no atual Congresso Nacional, taxado de inimigo do povo, amigo dos criminosos, parceiro do BolsoMaster e dos escândalos no INSS.


Autor: Rafael Moia Filho – Escritor, Acadêmico da ABLetras, Blogger, Analista Político e Graduado em Gestão Pública.

A jornada da roubalheira no INSS: tudo começou com Bolsonaro

  

Jair Bolsonaro, escurecido na foto. 30-07-21 Foto Marcelo Camargo da Agência Brasil. 

O que hoje se revela como uma verdadeira “máfia do INSS” ganhou força justamente a partir de mudanças promovidas durante o governo de Jair Bolsonaro.

Assisti à entrevista do deputado Paulo Pimenta (PT/RS) que detalhou pormenorizadamente a cronologia do escândalo do INSS. A partir do que foi provado na CPMI, não resta outra conclusão: não se tratou apenas de mais um caso de corrupção, mas sim de decisões políticas concretas e um ambiente institucional que foi construído para permitir que a fraude se tornasse sistêmica.

Segundo o deputado, o que hoje se revela como uma verdadeira “máfia do INSS” ganhou força justamente a partir de mudanças promovidas durante o governo de Jair Bolsonaro. Não foi um acaso. Foi resultado direto de escolhas. Foi método.

Entre 2019 e 2022, medidas aparentemente técnicas alteraram profundamente os mecanismos de controle sobre descontos realizados diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas. A principal delas foi o fim da exigência de revalidação periódica das autorizações para descontos associativos. Na prática, abriu-se uma brecha perigosa: uma vez autorizado - muitas vezes de forma fraudulenta -, o desconto poderia seguir indefinidamente, sem qualquer conferência.

Esse detalhe burocrático, que poderia passar despercebido ao grande público, funcionou como combustível para o esquema. Entidades passaram a operar com liberdade quase total, e milhões de brasileiros, sobretudo idosos, se tornaram alvos fáceis. Muitos sequer sabiam que estavam sendo lesados mês após mês.

Mas não foi só isso. O período do governo Bolsonaro também foi marcado por um enfraquecimento dos mecanismos de fiscalização e por uma expansão pouco criteriosa de convênios com entidades privadas. Em vez de reforçar controles, o sistema foi sendo flexibilizado. Em vez de proteger o beneficiário, criou-se um ambiente onde o risco recaía justamente sobre quem deveria ser mais protegido.

A fala de Paulo Pimenta ajuda a dar nome ao que aconteceu: não foi apenas falha de gestão, foi a criação de condições objetivas para que a fraude prosperasse. Quando se retiram travas institucionais, alguém ocupa esse espaço - e, nesse caso, foram organizações que operaram à margem da legalidade.

É importante deixar claro: esquemas de corrupção não surgem do nada. Eles precisam de oportunidade, de brechas legais e, muitas vezes, de omissão e cumplicidade. O que se viu naquele período foi a combinação desses elementos.

Hoje, com investigações avançando e o tema ganhando visibilidade, há uma disputa narrativa em curso. Os verdadeiros responsáveis, os bolsonaristas, tentam tratar o escândalo como algo difuso, sem origem definida. Mas os fatos indicam o contrário: houve um momento em que as porteiras foram abertas.

Dizer que “tudo começou com o Bolsonaro” é, portanto, mais do que uma provocação. É uma forma de situar claramente o início de um ciclo em que decisões políticas fragilizaram o sistema e permitiram que bilhões fossem desviados de quem mais precisava. A jornada da roubalheira no INSS não começou agora. Ela começou quando desmontaram as proteções - e transformaram a exceção em regra.

E isso não pode ser apagado da memória.  

Autor: Oliveiros Marques - Sociólogo pela UNB, onde também cursou disciplinas do mestrado em Sociologia Política. Atuou por 18 anos como assessor junto ao Congresso Nacional. Publicitário e associado ao Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político (CAMP). Publicado no Site Brasil 247.

Editores demitidos ameaçam denunciar que ordem do PowerPoint veio da direção da Globo

  

Editores demitidos ameaçam denunciar que ordem do PowerPoint veio da direção da Globo - Foto Reprodução da Globo News.

Demissões na Globo expõem crise interna, ameaça de denúncias e dúvidas sobre responsabilidade editorial e ética jornalística no caso do PowerPoint.

Demorou um pouco, mas afinal foram demitidos os dois editores escolhidos para pagar o pato pelo PowerPoint exibido na Globonews. A demora se deu também porque havia uma ameaça de que os que tiveram as cabeças iriam denunciar que o PowerPoint foi o resultado de uma encomenda da direção. O presidente da Globo é Paulo Marinho.

O aviso dos editores, ao lado das restrições ao PowerPoint levantadas por raros jornalistas da redação, causou a vacilação no cumprimento da ordem de demissão dos bodes expiatórios. O sentimento de injustiça cresceu com as alegações de que a arte que foi levada ao ar foi aprovada previamente pela direção, que agora tira o corpo fora e aponta para os que apenas a confeccionaram e levaram ao ar da maneira como foram orientados.

Todos sabem que o PowerPoint expressa com sinceridade o sentido e a letra do jornalismo da Globo: na dúvida, tudo contra Lula, PT e o STF. Houve reuniões tensas, exibiram-se mensagens comprovadoras da linha de hierarquia que levou ao suposto erro, mensagens devidamente desconsideradas.

De lá pra cá, a Globo tenta abafar o caso, ganhar tempo antes de voltar ao viés original.

O comunicado a respeito do erro é intencionalmente genérico e dissimulado. Não se apontam quais foram as incorreções cometidas no PowerPoint nem que pessoas tiveram suas imagens enxovalhadas sem razão nem provas. Uma correção sincera deveria buscar reparar por inteiro os danos causados à imagem dos que foram criminosamente acusados naquela imagem. Uma ação honesta deveria explicitar sem ambiguidade a inocência dos que foram erroneamente apontados e reafirmar a responsabilidade dos que seguem sendo os verdadeiros culpados.

Em vez disso, a mensagem de Sadi é intencionalmente genérica. Uma suposta correção que não corrige nada e na verdade reafirma dessa maneira o vício original. Faltou coragem para assumir os erros, faltou respeito à seriedade do fazer jornalístico e transparência na descrição do que ocorreu. Um ofício exercido com seriedade deveria se preocupar antes de tudo com a imagem dos inocentes afetados em lugar de ocultar-se, como forma de se evadir e salvar a própria face. Esperar, porém, uma correção honesta, que implicasse, dizer que Lula e outros foram injustiçados pela Globo, é uma ilusão. A este ponto, só mesmo com uma decisão da Justiça, outra inimiga da mídia, no modelo celebrizado por Leonel Brizola.

É notável ainda o silêncio cúmplice de quase todos os outros veículos e jornalistas a respeito do caso, bem como de quase todas as entidades profissionais, reafirmando a justa dúvida, neste episódio lapidar, sobre afinal quais são os valores que comandam de fato o exercício do jornalismo dito profissional. 

Autor: Mario Vitor Santos - Mario Vitor Santos é jornalista. É colunista do 247 e apresentador da TV 247. Foi ombudsman da Folha e do portal iG, secretário de Redação e diretor da Sucursal de Brasília da Folha. Publicado no Site Brasil 247.