4 de agosto de 2011

Apagão na memória de quem privatizou tudo em SP

Em 1995 ninguém me contou nada, eu estava no auditório da empresa em que trabalhava e assisti a uma palestra com a participação de tucanos ilustres que defendiam a privatização das empresas do setor elétrico paulista (Cesp, CPFL, Eletropaulo).

Entre os palestrantes estavam David Zilberstein, o atual presidente da CPFL Wilson Ferreira Júnior e Eduardo Bernini que foi Presidente da Eletropaulo.

Naquela ocasião David Zilberstein era Secretário de Energia e eles diziam coisas incríveis sobre o que seria o país pós- privatizações tucanas no setor elétrico. Uma das coisas mais interessantes é que o consumidor poderia escolher a empresa que lhe serviria energia elétrica.

Tudo seria modernizado, melhorado e ampliado pela inciativa privada, visto que o papel do Estado não era cuidar daquilo e sim de Educação, Saúde e Habitação por exemplo. Segundo eles ainda, o setor privado teria recursos para investir em novas tecnologias, dar manutenção ao sistema e ampliar a oferta de energia para que SP não entrasse em colapso.

Todos assistiam entusiasmados, não foram poucos que depois daquelas palestras votaram no PSDB, imaginando que eles falavam mesmo a verdade. Sonhavam por alguns instantes com um futuro maravilhoso para nosso Estado e o país.

As privatizações chegaram e eles foram vendendo as empresas uma a uma, exceto a Cesp que teve de ser cindida em cinco partes, sendo uma Distribuidora que virou Electro nas mãos de um grupo americano. A geração dividida em três partes Tietê vendida para a AES, Paranapanema vendida para a Duke Energy ambas americanas, restando apenas a Geração Paraná atual Cesp que não foi vendida.

A quinta parte foi a Cteep Transmissão Paulista que foi vendida em 2006 as vésperas das eleições para uma estatal colombiana chamada ISA. Não podíamos ter estatais, mas podíamos vender para estatais, isso só tucano entende.

A Eletropaulo também foi retalhada e vendida em postas, apenas a CPFL foi vendida inteira e para um grupo formado pelas empresas de Antônio Ermírio e do Bradesco.

Hoje decorridos dezesseis anos desta estória macabra da venda por migalhas de todo setor elétrico paulista, único Estado a se desfazer de suas empresas do setor, temos apagões acontecendo quase que diariamente em SP.

A culpa é óbvia, da falta de manutenção, investimento e seriedade das empresas que compraram as antigas estatais. Nenhuma fiação está por debaixo do solo como nos países de primeiro mundo. Não houve crescimento da oferta de energia nem no patamar de 15% exigido nos editais de venda.

As empresas têm lucros altíssimos e os enviam para o exterior para gozo de suas matrizes que estão felizes com o negócio feito com os tucanos paulistas.

Não há possibilidade alguma de um consumidor escolher a empresa que quer fornecendo energia elétrica em sua fábrica ou residência, isso é utopia, propaganda enganosa. Não há manutenção sendo realizada, motivo dos apagões constantes.

Eles agora culpam ANEEL, agência criada por eles e que jamais multou, fiscalizou ou até regulamentou o setor como deveria ter feito nestes 16 anos.

O atual secretario de energia José Aníbal e o Governador Geraldo Alckmin tiveram um tremendo apagão de suas memórias e esqueceram tudo isso acima citado.

Eles agora tem vergonha de assumir tudo que disseram e fizeram no passado recente. Espero que os eleitores e consumidores do sistema saibam dar seus votos sem serem acometidos por um apagão na hora de votar novamente em SP.

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