1 de fevereiro de 2018

Exemplo de que não estamos sabendo escolher nossos governantes!

A corrupção não é uma invenção brasileira,
mas a impunidade é uma coisa muito nossa.

Com frequência ouvimos que o povo brasileiro não sabe votar. Não é verdade, ele sabe exercer o sue direito ao voto, e, o faz de forma ordeira e tranquila a cada dois anos quando é obrigado a votar. Entretanto, mesmo sabendo votar, não tem sido feliz na escolha dos seus mandatários, de seus governantes municipais, estaduais e mesmo para a presidência da república.
Um dos exemplos é o que aconteceu no Rio de Janeiro nos últimos 36 anos. Os sete governadores eleitos naquele Estado desde 1982, cinco estão atualmente na mira da Justiça. Os únicos dois que não aparecem na lista são Leonel Brizola e Marcello Alencar, que morreram em 2004 e 2014, respectivamente.
Recentemente o casal Anthony e Rosinha Garotinho (PR) foram presos sob a suspeita de arrecadação de dinheiro ilícito para o financiamento da campanha dos dois.
Com isso, das cinco pessoas que já comandaram o estado e ainda estão vivos, três estão hoje atrás das grades – Sergio Cabral (PMDB), que governou o Rio entre 2007 e 2014, foi preso em novembro passado.
Os únicos que sobraram, o ministro da Secretaria Geral da Presidência Moreira Franco (governador entre 1987 e 1991) e o atual governador do estado, Luiz Fernando Pezão, que também acumulam pendências na Justiça, em especial no âmbito da Lava Jato.O primeiro foi denunciado por organização criminosa e obstrução da Justiça por formar o chamado “quadrilhão do PMDB”, mas graças a uma decisão da Câmara dos Deputados, as acusações só poderão ser avaliadas pela Justiça quando ele perder o foro privilegiado.
Pezão, por sua vez, é alvo de um inquérito pela suspeita de ter recebido doações irregulares da construtora Odebrecht na eleição de 2014. De acordo com um executivo da empreiteira, ele teria recebido mais de 20 milhões de reais em caixa 2.
Veja a lista de governadores eleitos desde a década de 1980 até hoje (não foram listados os vice-governadores que assumiram posteriormente o governo):

Governador
Inicio de gestão
Fim da Gestão
Partido
Morte
Na mira da Justiça
Leonel Brizola
15/03/83
15/03/87
PDT
21/06/04
Não
Moreira Franco
15/03/87
15/03/91
PMDB
-x-
Sim
Leonel Brizola
15/03/91
15/03/94
PDT
21/06/04
Não
Marcello Alencar
01/01/95
01/01/99
PSDB
10/06/14
Não
Garotinho*
01/01/99
06/04/02
PDT
-x-
Sim
Rosinha Garotinho*
01/01/03
01/01/07
PSB
-x-
Sim
Sérgio Cabral
01/01/07
01/01/11
PMDB
-x-
Sim
Sérgio Cabral
01/01/11
03/04/14
PMDB
-x-
Sim
Luiz F. Pezão
01/01/05
Exercício
PMDB
-x-
Sim
*Ambos, hoje, são filiados ao PR – Partido da República.

A operação deflagrada recentemente pela PF voltou a unir os destinos de Sérgio Cabral e Anthony Garotinho, que já foram aliados políticos em três eleições, mas se tornaram rivais a partir de 2007.
Naquele ano, o peemedebista assumiu o Palácio do Guanabara tecendo críticas à gestão anterior, ao mesmo tempo, que extinguia programas que marcaram o governo do casal Garotinho como o programa Cheque Cidadão.
(Em tempo: segundo as suspeitas da Operação Chequinho, que originou a prisão de Garotinho no ano passado, o ex-governador teria usado um programa semelhante para compra de votos nas eleições da cidade de Campos - RJ).
Anos depois, em 2012, foi à vez de Garotinho dar o troco. Em seu blog, ele divulgou as (hoje emblemáticas) fotos de um episódio que ficou conhecido como “farra dos guardanapos”, em que Cabral e alguns secretários estaduais aparecem com o dono da construtora Delta, Fernando Cavendish, em um restaurante luxuoso em Paris. O Ministério Público suspeita que a festa possa ter sido uma comemoração antecipada da escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016.
Após sua prisão, Garotinho usou o episódio para afirmar que é vítima de uma perseguição por ter denunciado Cabral. O fato é que, apesar das desavenças, os dois parecem seguir para a mesma sina.
Há um ano na detenção, Cabral já acumula 72 anos de prisão em três sentenças e a possibilidade de, no mínimo, condenações a três séculos de cadeia em 13 denúncias já ajuizadas. Enquanto Garotinho e sua esposa foram investigados e presos pelos crimes de corrupção, concussão, participação em organização criminosa e falsidade na prestação de contas eleitorais.
Vale lembrar que, no mês passado, o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado Jorge Picciani também voltou para a cadeia. Em mais uma prova de que o grupo que coordenou o poder no Rio por duas décadas pode  estar perto de seu fim.
Não tem alternativa dentro do regime democrático para o eleitor, ou vota em pessoas do bem, ou haverá para sempre a continuidade dessa bandidagem no poder. O eleitor tem que votar com seriedade e consciência do seu ato. E após a eleição seguir atento fiscalizando e cobrando aqueles que forem eleitos.

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