3 de dezembro de 2017

Quando se fala em poder político, nada é o que parece ser!


            O libertário Alejandro Chafuen, argentino-americano, passou sua vida adulta se dedicando a combater os regimes de esquerda e os movimentos sociais na América do Sul e Central na tentativa de substituí-los por empresários do chamado libertarianismo. O libertarismo, algumas vezes traduzido do inglês como libertarianismo, é uma filosofia política que possui a liberdade como seu núcleo. Libertários buscam maximizar a autonomia e liberdade de escolha, enfatizando as liberdades políticas, associações voluntárias, e a primazia do julgamento individual.
Estes grupos patrocinados pela Atlas Economic Research Foundation, uma organização sem fim lucrativo conhecida como Atlas Network (Rede Atlas), que Chafuen dirige desde 1991 festejou vitórias recentes na América do Sul.
Recentemente esteve no Latin America Liberty Forum, uma reunião internacional de ativistas libertários que a Rede Atlas banca financeiramente.
A falta de recursos financeiros aliados aos crescentes casos de corrupção na América Latina, fizeram com que alguns governos de esquerda tivessem problemas para se manter no poder. Estes libertários vislumbraram então o surgimento de uma oportunidade e uma demanda por mudanças, e tinham pessoas treinadas para pressionar por certas políticas.
Com isso, diversos líderes ligados à Rede Atlas conseguiram ganhar notoriedade: ministros do governo conservador argentino, senadores bolivianos e líderes do Movimento Brasil Livre (MBL), que ajudaram a derrubar a presidente Dilma Rousseff.
Um exemplo vivo dos frutos do trabalho da rede Atlas, que Chafuen testemunhou em primeira mão. Ele inclusive esteve nas manifestações no Brasil e pensou: “Nossa, aquele cara tinha uns 17 anos quando o conheci, e agora está ali no trio elétrico liderando o protesto” diz, empolgado.
É a mesma animação de membros da Atlas quando o encontram em Buenos Aires; a tietagem é constante no saguão do hotel. Para muitos deles, Chafuen é uma mistura de mentor, patrocinador fiscal e verdadeiro símbolo da luta por um novo paradigma político em seus países.
Uma profunda guinada a direita está em marcha na política latino-americana, destronando os governos socialistas que foram a marca do continente durante boa parte do século XXI – de Cristina Kirchner, na Argentina, ao defensor da reforma agrária e populista Manuel Zelaya, em Honduras –, que implementaram políticas a favor dos pobres, nacionalizaram empresas e desafiaram a hegemonia dos EUA no continente.
Essa alteração pode parecer apenas parte de um reequilíbrio regional causado pela conjuntura econômica, porém a Atlas Network parece estar sempre presente, tentando influenciar o curso das mudanças políticas.
A história da Atlas Network e seu profundo impacto na ideologia e no poder político nunca foi contada na íntegra. Mas os registros de suas atividades em três continentes, bem como as entrevistas com líderes libertários na América Latina, revelam o alcance de sua influência. A rede libertária, que conseguiu alterar o poder político em diversos países, também é uma extensão tácita da política externa dos EUA, associados à Atlas que são discretamente financiados pelo Departamento de Estado e o National Endowment for Democracy (Fundação Nacional para a Democracia – NED), braço crucial do soft power norte-americano.
Isso nos mostra que por trás de falsos discursos pseudos moralistas contra a corrupção e os grupos de esquerda, o que temos na verdade são grupos organizados com muitos recursos e disponibilidade para ajudar políticos e empresários que não estão no poder a conquistá-los.
Essa mudança visa colocar no topo das negociações o governo americano, obviamente o grande defensor da liberdade (Deles) e a democracia dos outros.
Ao longo dos anos, a Atlas e suas fundações caritativas associadas, realizaram centenas de doações para grupos conservadores e defensores do livre mercado na América Latina, inclusive a rede que apoiou o Movimento Brasil Livre (MBL) e organizações que participaram da ofensiva libertária na Argentina, como a Fundação Pensar, um grupo da Atlas que se incorporou ao partido criado por Mauricio Macri, um homem de negócios e atual presidente do país. Os líderes do MBL e o fundador da Fundação Eléutera – um grupo neoliberal extremamente influente no cenário pós-golpe hondurenho receberam financiamento da Atlas e fazem parte da nova geração de atores políticos que já passaram pelos seus seminários de treinamento.
No ano de 2018, teremos eleições no Brasil, é preciso que nos informemos muito bem e saibamos quem está por trás de cada candidatura. Que grupos apoiam segmentos de esquerda e direita. E quanto dinheiro está sendo colocado em jogo para que podemos saber o que se dará em troca deste apoio para eleger simpatizantes deste ou daquele segmento político ou organizações como a Rede Atlas.

Fonte de pesquisa realizada por Danielle Mackey

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