8 de dezembro de 2017

MBL - Movimento Brasil Livre - Quem são e quem os financia?

 Não há nada bom nem mau a não ser estas duas coisas: 
a sabedoria que é um bem e a ignorância que é um mal. 
Platão
O Movimento Brasil Livre - MBL é um movimento político brasileiro que defende o liberalismo econômico e o republicanismo e estão ativos desde 2014. O MBL tem como colunista Luan Sperandio Teixeira, que é colaborador da rede Estudantes para Liberdade. Fabio Ostermann, que é coordenador do mesmo movimento no Rio Grande do Sul, fiscal de Estudos Empresariais e diretor executivo do Instituto Ordem Livre.
Para entendê-los é preciso ver quem são os seus financiadores que bancam seus gastos, suas viagens e despesas gerais. Por trás dos movimentos está a Indústria Koch que tem um faturamento aproximado de 115 bilhões de dólares anuais. A indústria Koch tem suas principais atividades ligadas à exploração de óleo e gás; ela esteve envolvida no roubo de cinco milhões de petróleo em uma reserva ambiental e foi multada em 30 milhões de dólares por conta de vazamento de óleo.
De acordo com publicação da Revista Carta Capital, os irmãos Charles e David Koch são sócios, possuem 42,9 bilhões de dólares e estão em sexto e sétimo lugar na última lista dos 10 maiores bilionários do mundo. O irmão caçula, Bill Koch, tem um império de 2,8 bilhões e financia políticos conservadores norte-americanos. Eles são filhos de Fred Chase Koch, um empresário de petróleo, admirador de Mussolini e um dos fundadores em 1958 da organização ultradireitista John Birch Society, cuja sede foi estabelecida ao lado do túmulo do paranoico senador anticomunista Joseph MC Carthy e foi notório pelo combate à lei dos direitos civis promovida por Lyndon Johnson, nos anos 1960.
Já a organização internacional Estudantes para a Liberdade conta com uma forte atuação e articulação em países que passaram por período de turbulência política, como a Venezuela e a Ucrânia. Na Venezuela, o grupo Estudantes para a Liberdade tem como articulador o economista Oscar Torrealba, que trabalha para o jornal EI Universal, veiculo da oposição burguesa ao governo de Nicolas Maduro.
No site de uma das organizações internacionais envolvidas com a empresa Koch e com os Estudantes Para Liberdade, coloca-se que a “a missão do Movimento Brasil Livre é mobilizar indivíduos para um ativismo em favor da liberdade, da justiça e de uma sociedade mais próspera”.
O Movimento Brasil Livre se apoia numa enorme insatisfação da população com os políticos e como resposta coloca que o “Estado seja reduzido”, ou seja, que o problema da crise e da corrupção se dá porque o governo faz muitas concessões para os trabalhadores e o povo pobre. Esse movimento reivindicou o impeachment da presidente Dilma, pois achava que os ajustes que o governo estava aplicando era insuficiente e por isso queriam substituí-la por um governo mais “ajustador”.
O discurso de que o MBL é contra a corrupção é totalmente falacioso. Para travar um combate efetivo contra a corrupção é preciso questionar a relação entre os banqueiros e empresários com os políticos. Um movimento que se coloca contra a corrupção teria que se colocar contra os ataques aos trabalhadores e ao povo pobre que o Estado impõe, mas o objetivo do Movimento Brasil Livre é justamente tentar garantir os ataques contra os trabalhadores.
A prova mais viva de que o MBL não é contra a corrupção é que duzentos integrantes do movimento irão concorrer às próximas eleições em partidos da direita, oposição ao PT e outros partidos de esquerda. Saíram candidatos com o PSDB, DEM, PMDB e outros, envolvidos nos mesmos esquemas de corrupção que o PT, além de estarem envolvidos em seus próprios esquemas, como o Desvio das Merendas, Rodoanel, Cartel dos Trens em São Paulo.
Numa entrevista de Kim Kataguari, concedida para o Globo, o MBL afirma que irá filiar integrantes nos partidos de oposição burguesa ao PT, para poder criar uma “bancada liberal independente”, que seja a cartilha da “redução do Estado na economia e na vida da população”. Um dos coordenadores nacionais do MBL, o advogado Rubens Nunes, afirma que, para conseguir uma mudança efetiva, é preciso sair das ruas e participar da política representativa.
A entrada da FIESP, junto com o MBL diz muito sobre eles, afinal não podemos esquecer que o presidente da FIESP, Paulo Skaf (PMDB), foi um grande defensor da PL 4330, cujo objetivo era ampliar a terceirização do trabalho no país, precarizando ainda mais a força de trabalho. Além do que, Skaf está sendo investigado na Lava Jato.
A Apropriação de pautas conservadoras faz o grupo radicalizar suas posturas contra manifestações artísticas, como a do Queermuseum, em Porto Alegre, e no MAM, em São Paulo.
As controvérsias e incoerências dos líderes e criadores do MBL acompanham o crescimento do movimento, que nasceu com o objetivo de mobilizar as ruas a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), de pregar o liberalismo econômico e exigir o combate à corrupção.
Com relação a este último ponto, eles ainda concentram seus ataques, de forma obsessiva, ao PT e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que é acusado de corrupção em vários processos e já foi condenado em um deles. Falam pouco, contudo, de políticos como Geddel de Oliveira, Sergio Cabral, os senadores Renan Calheiros, Romero Jucá, Aécio Neves (PSDB) e o presidente Michel Temer (PMDB), ainda que Aécio tenha sido gravado pedindo dinheiro a Joesley Batista, da JBS, e Temer tenha sido alvo de duas denúncias por corrupção e organização criminosa da Procuradoria-Geral da República.
"O MBL se articula em torno de alguns temas, mas os principais são ainda o antipetismo e a defesa das propostas liberais do governo. Isso explica o alinhamento com o PMDB e o PSDB", explica Fábio Malini, professor da Universidade Federal do Espírito Santo e coordenador do Laboratório de estudos sobre Internet e Cultura (LABIC).
A artilharia contra a esquerda e qualquer tese defendida por grupos que eles vinculam a ela é o que mais se destaca em suas páginas. Só a do Facebook soma 2,5 milhões de curtidas. Mas de um tempo para cá o MBL vem se apropriando de pautas ultraconservadoras em diversos campos, firmando-se como porta-voz e tropa de choque desses setores.
Com forte discurso punitivista, seus membros defendem, por exemplo, a redução da maioridade penal e o fim do estatuto do desarmamento. Se antes se recusavam a comentar temas morais ou comportamentais, hoje participam ativamente da chamada "guerra cultural".
Pregam contra o aborto, o feminismo, a "ideologia de gênero" e o "politicamente correto". Não raro dizem que negros, homossexuais e mulheres têm discursos "vitimistas" e "infantis". O "livre" que carrega em seu nome também se contradiz com uma das pautas preferidas do grupo: o Escola Sem Partido, que prega o que eles chamam de "o fim da doutrinação" nas escolas. O Ministério Público Federal já alertou sobre a inconstitucionalidade do projeto, enquanto que especialistas argumentam que, na prática, ele atenta contra a liberdade do professor na sala de aula.
Em resumo, é uma lástima que jovens brasileiros se dediquem a combater a corrupção, exceto se ela for cometida por seus aliados políticos. A vida democrática deve permitir ideias de todos os espectros ideológicos, desde que, sejam em favor da população e da Nação. Esse grupo chamado MBL, não percebe que comete os mesmos equívocos que os chamados grupos radicais xiitas de esquerda que eles tanto odeiam.
Querem impor ideias sem que haja debates democráticos, querem que esqueçamos que a corrupção está enraizada nos partidos que eles apoiam cegamente apenas porque são de direita. 

Áudio do MBL onde Renan Santos fala da ligação do MBL com partidos políticos: https://tv.uol/14XKA

Pesquisa: Wikipédia, Guilherme de Almeida Soares, Site Gazeta do Povo, Controvérsia Blog, Jornal El Pais e UOL Notícias.


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