1 de setembro de 2017

Privatizações voltam a ser remédio para a ineficácia do Estado!

“Diz à lenda que um príncipe Hindu, certa vez, chamou um
ourives e encomendou uma joia que o moderasse
em seus momentos de glória e grande alegria.
E que ao ver-se em sofrimento ou em desgraça,
 esse objeto lhe pudesse trazer algo de consolo.
O ourives então confeccionou um
belíssimo anel com uma singela inscrição:
Isso Passará!”
As privatizações voltaram nessa semana a frequentar as páginas dos jornais do Brasil. Dessa vez apresentadas como solução pelo governo Temer e seus aliados tucanos.
Claro que sabemos que, alguns segmentos não devem ficar nas mãos dos nossos nefastos governantes, por pura incompetência e pela probabilidade gigantesca de haver corrupção enquanto estiverem sob a tutela dos mesmos e de seus apadrinhados políticos.
Sabemos que, o motivo não é bem esse, mas sim, o fato de que o governo Temer torrou em um ano muito dinheiro público e está com um rombo ainda maior do que o deixado por sua antecessora, da qual ele teve parceria até o Impeachment.
O processo de privatização deu certo em muitos países do chamado primeiro mundo, como por exemplo, a Inglaterra. Entretanto, não podemos cogitar quaisquer comparações com países que possuem governos honestos e com propósitos e missões que visam beneficiar a nação e o seu povo. O que não acontece com nosso país, cercado de quadrilhas travestidas de partidos políticos.
Voltando ao nosso país, na década de 90, o processo de privatização ganhou corpo através de Fernando Collor, que timidamente privatizou algumas empresas antes de ser cassado pelo Congresso Nacional. Em 1995 com o início da era tucana (1995-2001), o processo voltou travestido de uma dose cavalar de neoliberalismo.
O país privatizou muito, porém, foi o Estado de SP, capitaneado por Covas, Serra e Alckmin, que mais privatizaram em todo território nacional. Comgás, Nossa Caixa, Banespa, Cesp, Cteep, CPFL, Eletropaulo e muitas outras empresas renderam aos cofres estaduais cerca de R$ 80 bilhões. Dinheiro que sumiu no ralo da ineficiência e cuja origem jamais foi explicada a população, que vinte anos depois está sem Saúde Pública, Educação, Habitação e Segurança de qualidade.
A Cteep – Companhia de Transmissão Paulista por exemplo, foi vendida por R$ 1.091 bi, quando havia em caixa R$ 800 milhões. Seu patrimônio com centenas de subestações de energia em todo Estado era superior a R$ 20 bilhões à época. A única empresa visitada pelo ex-presidente na ocasião foi coincidentemente a vencedora, uma empresa colombiana.
O processo de privatização das Teles no governo de FHC, assim como Empresa Vale do Rio Doce, são provas vivas do suspeito processo de venda abaixo dos verdadeiros valores destes segmentos e das facilidades dadas aos seus compradores. Tudo muito bem explicado no Livro de Amaury Ribeiro Jr “A Privataria Tucana”. Obra que contém documentos secretos e a verdade sobre o maior assalto ao patrimônio público brasileiro. Explicando e provando como foi à viagem das fortunas tucanas até o paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas.
Agora que está acuado e sem respaldo popular, Michel Temer e sua grotesca equipe econômica ressuscitam as privatizações como remédio para estancar o rombo bilionário nas contas públicas. Colocando cerca de cinquenta empresas entre aeroportos, casa da moeda, etc., para venda em 2018.
Mesmo que todas fossem vendidas, o dinheiro arrecadado, assim como nas privatizações tucanas, irá sumir no ralo da ineficiência e da corrupção que grassa no país, em particular no Poder Executivo.
Bastou a divulgação da intenção do governo para que a Infraero acusasse um prejuízo bilionário caso o processo de privatizações de aeroportos seja concluído. No mesmo compasso a Aneel informa que o processo de privatização da Eletrobrás vai onerar ainda mais as nossas contas de energia.
Entre os objetivos do processo de privatização, não está certamente o de sanear dividas de um Estado mal administrado, repleto de corrupção e desvios de finalidades. Além de fadado ao erro, país perderá e muito com essa insanidade deste governo medíocre e sem credibilidade.

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