28 de novembro de 2016

Maurício Macri - Hermano é um dos nossos!

“A história é uma galeria de quadros em
que há poucos originais e muitas cópias".
Tocqueville

O presidente argentino Maurício Macri, está sendo ajudado pelo governo brasileiro, que atrasa as investigações sobre os negócios obscuros dele em solo brasileiro.
Isso é feito com o retardo do envio das informações, solicitadas nas investigações do Escândalo Panamá Papers, que reúnem milhares de documentos sobre lavagem de dinheiro, contas em paraísos fiscais, ocultação de bens e sonegação fiscal.
A proximidade de Temer com Macri não se prende apenas aos laços ideológicos, a identidade e os pensamentos em comum. Enquanto Temer vê seu governo á margem de um grande escândalo, com as denúncias e delações da Lava Jato, que pode pegar vários de seus principais aliados, Macri teme o mesmo com a Operação Panamá Papers.
 O envolvimento do presidente argentino com o escândalo internacional Panamá Papers tem uma conexão brasileira que apareceu graças a um descuido de Macri. Segundo ele, a Fleg Trading, uma Offshore aberta nas Bahamas em 1998, foi concebida para tocar um dos negócios da família no Brasil, que seria o Pague Fácil, empresa de cobrança eletrônica.
As suspeitas que se transformaram em evidências no processo, dizem que Macri e sua família usavam a Companhia nas Bahamas, para injetar no Brasil quase dez milhões de dólares de procedência completamente desconhecida.
Diante dos fatos, um juiz argentino determinou que fossem pedidas informações ao Brasil. O caso corre sob segredo de justiça, mas a Revista Carta Capital teve acesso ao pedido feito em 09 de maio de 2016.
O pedido requer dados societários das empresas Fleg, Global e Owners (Nome de sócios, dirigentes e representantes) e também dados bancários de pessoas físicas e jurídicas vinculadas às três empresas, bem como registro de saques, depósitos e transferências.
A solicitação está parada no DRCI – Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação ligado ao Ministério da Justiça, comandada hoje pelo tucano Alexandre Moraes, assim como o ministro das relações exteriores José Serra, cujo ministério recebeu o pedido argentino.
Razão suficiente para entendermos o porquê da má vontade para com um pedido da justiça argentina, justamente com o amigo do presidente Temer. Ah se fosse uma investigação de Nicolás Maduro ou Evo Morales.
Essa atitude do governo brasileiro, no mesmo momento em que o senador Romero Jucá (PMDB) e os seus colegas da Câmara tentam frear a Lava Jato dando um passa moleques nos processos de Anistia a Crimes de Caixa 2, demonstram que a postura do PMDB, não é aquela sonhada por quem avalizou o processo de Impeachment nas ruas brasileiras.
Afinal de contas, corrupção é crime aqui no Brasil, na Argentina ou na Nova Zelândia, independente de quem a pratique. Obstruir a justiça também é um ato criminoso em qualquer canto do mundo.
A promotoria do país vizinho percebendo a falta de empenho das autoridades brasileiras começaram a acionar os registros de migração para saber se Macri, seu pai ou qualquer outro familiar estiveram no Brasil à época dos acontecimentos.
O jornal Perfil apurou que Macri e seu irmão estiveram no Brasil dias 11 e 12 de agosto de 1998, um mês antes da injeção de 9,3 milhões de dólares via Fleg, que possui uma filial aqui desde 2002.
Michel Temer, José Serra e o festivo ministro da Justiça Alexandre Moraes devem uma resposta urgente à justiça da Argentina e à ética que infelizmente está desaparecida no Brasil quando se trata de homens públicos.

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