28 de novembro de 2016

Descriminalização da Corrupção, ao invés da maconha!

Nada é permanente neste mundo cruel,
nem mesmo os nossos problemas.
Charles Chaplin

Há muito tempo ouvimos falar da possível descriminalização da maconha, como um antídoto para minimizar os efeitos do tráfico de drogas em nosso país. Como todos sabem o governo brasileiro, perdeu o controle há muito tempo sobre a criminalidade, e viu neste período o crime organizado se fortalecer saindo dos morros e entrando nos condomínios de luxo.
A luta política pela legalização da maconha começou a ganhar força no começo da década de 80 com advento de atores, músicos e políticos liberais, tais como Fernando Gabeira, que levantou esta bandeira (entre outros assuntos progressistas) em sua campanha presidencial pelo PV em 1989, com projetos que são debatidos atualmente, tal qual a implementação do cultivo da maconha para fins medicinais e industriais.
Recentemente, políticos, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, membro da Comissão Latino-Americana de Drogas e Democracia, apoiaram a legalização, descriminalização da posse de pequenas quantidades para uso pessoal de maconha e comungam com a ideia que a repressão apenas resulta no aumento da violência e não diminuiu o consumo que vem crescendo de maneira exponencial, defendendo que devemos criar mecanismos que desestimulem o uso das drogas, como um problema de saúde pública e não de repressão.
No Brasil, com a efetivação da Lei 11.343/2006, de 23 de agosto de 2006, já não existe mais a pena de prisão ou reclusão para o consumo, armazenamento ou posse de pequena quantidade de drogas para uso pessoal, inclusive maconha. As penas previstas são: advertência sobre os efeitos das drogas (saúde, família e etc.); prestação de serviços à comunidade ou medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.
Com o avanço dos debates e de políticas liberais pelo globo, vem à tona a iniciativa popular pelas redes sociais e projetos de leis que buscam a descriminalização e legalização da maconha, o que pode colocar o Brasil em meio a tantos outros países que já adotam políticas liberais com o entorpecente. Este trabalho aponta conceitos sociológicos e políticos, com a visão jurídica das possibilidades e vantagens que a legalização trará para as instituições democráticas.
Porém, enquanto este debate prossegue timidamente no seio da nossa sociedade, percebemos que outra droga, muito pior, muita mais destruidora se estabeleceu sem que a maioria pudesse dar conta do seu perigo.
É a droga da Corrupção – Segundo o Dic. Aurélio - Ato ou efeito de corromper (-se); decomposição. 2. Devassidão, depravação. 3.Suborno; peita.
São tantos os efeitos da corrupção para a economia, que não poderíamos quantificar o que nosso país já perdeu nos últimos 30 anos. Sem dizer do envolvimento da classe política e de todos aqueles setores, que agem como corruptores para levarem vantagens econômicas ao praticarem suborno e a propina para pessoas com cargos importantes nos três poderes.
A droga é algo nocivo que pode ser tratada eventualmente, embora a maconha tenha efeito medicinal para alguns cientistas que defendem sua utilização em pequenas doses.
Já a corrupção não tem cura, seu tratamento é a prisão com a devolução daquilo que foi roubado. Porém, os corruptos no Brasil tem um forte aliado, que é a impunidade facilitada pela nossa fraca, omissa e péssima justiça.
O juiz Sérgio Moro, em Curitiba no Paraná, tem tentado mostrar ao país que existem condições de atacar este mal, que nos atinge há tanto tempo. Isolado, ele ainda é apenas uma esperança tênue neste intrincado jogo de xadrez do bem versus mal.
Quem sabe se descriminalizarmos de uma vez a corrupção, possamos ter uma redução na quantidade de golpes, fraudes, que nossos políticos e uma parcela considerável da nossa gente praticam diariamente onde quer que haja recursos públicos.

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