29 de setembro de 2015

Poder perpétuo nas entidades sindicais é injustificável!

É a ambição de possuir, mais do que qualquer outra coisa, que
impede os homens de viverem de uma maneira livre e nobre.
Bertrand Russell

A democracia voltou ao Brasil em 1985, após um período de 21 anos de regime militar. Embora a nossa democracia possa ser considerada incipiente, imatura e longe de estar à altura do que nosso povo precisa, temos sempre de lutar para mantê-la a qualquer custo no país.
Nos últimos anos alguns pequenos avanços foram notados em segmentos da nossa sociedade. Alguns clubes de futebol alteraram seus estatutos e puseram fim a reeleições eternas de alguns dirigentes inescrupulosos.
Faltam as Federações que englobam todos os esportes do país seguir o caminho e tirar do poder dirigentes que estão no cargo há mais de vinte anos.
Preocupa e muito ver que um segmento que representa trabalhadores possui centenas de dirigentes sindicais sendo reeleitos ininterruptamente no Brasil sem que nenhuma autoridade levante a voz para por fim a esta farra do dinheiro alheio.
Estes mandatários normalmente transformam os Sindicatos que comandam em extensões de suas casas. Cometem crimes de nepotismo, desvio de recursos entre tantos outros que estão listados nas nossas leis.
A falta de fiscalização e controle faz com que estes senhores feudais, normalmente autoritários levem sua vida sem problemas de quaisquer ordens. São seguidos por brutamontes que apavoram os que desconfiam de suas atitudes ou das contas da entidade.
Estes sindicalistas não tem pudor, jantam na calada da noite com empresários e se vendem para aqueles políticos que se aproximam em busca de votos e apoio. Aliás, isso é o que mais acontece, motivo pelo qual sempre temos no Congresso Nacional, parlamentares eleitos oriundos do movimento sindical.
Nem nos sindicatos tampouco no Congresso estes sujeitos fazem algo pelo trabalhador, ao contrario, trabalham para continuar tendo vantagens nas estatais e nas boquinhas que surgem em negociatas envolvendo governo e legislativo.
Outro fato que tem de ser alterado é o sindicalista que se aposenta e continua dando as cartas em nome dos ativos. Ele recebe seus vencimentos do INSS, garante o leite das crianças com os valores que recebe do sindicato e ainda busca outras vantagens extracurriculares junto a partidos políticos.
Segundo o leitor Carlos Alberto do interior de SP estas poderiam ser algumas sugestões interessantes de mudança para acabar com o eterno poder dos pelegões:
1.   Mandato sindical de no máximo três anos, com direito a apenas uma reeleição;
2.   Proibição da contratação de parentes próximos até terceiro grau dos diretores e membros dos sindicatos;
3.   Proibição da participação no processo eleitoral de aposentados para cargos de diretoria em Sindicatos, Federações e Confederações;
4.   Extinguir verbas de representação e de ajuda de custo;
5.   Os candidatos a cargos nas diretorias dos sindicatos devem estar trabalhando nas empresas cujo mesmo representa e vivendo na mesma base eleitoral;
6.   Se a empresa continuar pagando seus vencimentos, não deveria ter direito a qualquer vantagem financeira paga pelo sindicato;
7.   Todas as entidades sindicais sejam patronais ou de trabalhadores deveriam ser objeto de auditoria e fiscalização do TCU. Não é possível que recebam verbas vultosas e não tenham suas contas auditadas como qualquer empresa pública ou da iniciativa privada.
 No momento que boa parte do Brasil quer passar o país a limpo, reduzindo inclusive os subsídios dos vereadores, o movimento sindical deveria dar exemplo e não caminhar na escuridão do lodaçal que se transformou a vida pública brasileira nos últimos 25 anos.

Um comentário:

Alfredo disse...

O imposto sindical também é algo que precisa ser discutido...