16 de outubro de 2014

O silêncio dos culpados!

A justiça atrasada não é justiça,
senão injustiça qualificada e manifesta"
Rui Barbosa

A chegada do pedido de cassação do amigo fraterno do doleiro Alberto Youssef, também conhecido por ocupar um cargo de Deputado Federal em Brasília – André Vargas continua sendo estrategicamente protelado por seus companheiros (comparsas) na Câmara Federal desde agosto deste ano.
A Comissão de Ética daquela casa presidida pelo Deputado Ricardo Izar – PSD – SP aprovou a cassação do fanfarrão paranaense em 20 de agosto.
O pedido então deveria ter seguido ao plenário para votação e provável cassação do deputado. Porém, decorridos dois meses do envio o processo permanece guardado ou melhor parado na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara presidida pelo colega de partido Deputado Vicente Cândido da Silva – PT-SP.
Em parte sabemos que o ano de 2014 não foi muito profícuo para os trabalhos do Congresso Nacional, afinal de contas, carnaval, copa do mundo, duas férias, eleições, viagens à base eleitoral, enfim, sobrou pouquíssimo tempo para trabalhar e exercer com dignidade seus mandatos.
Outro problema é o corporativismo, no francês “esprit de corps” que poderia ser traduzido como sugeriu o brilhante jornalista Josias de Souza “Espirito de porco”. Os acordos são muitos, as agendas ocultas encobrem e dificultam as coisas sérias no parlamento nacional em todas as suas esferas, diga-se de passagem.
Assim como nas ruas das nossas grandes cidades, no Congresso Nacional também existem algumas facções, essas incrustradas dentro dos partidos defendem até a morte seus membros. Algo muito parecido com o modus operandi das máfias internacionais.
Os parlamentares situacionistas e oposicionistas nestas horas se somam, se locupletam, se ajudam e fazem com que permaneçam pairando sob suas cabeças a desconfiança generalizada da sociedade civil sobre a conduta imoral de alguns naquela casa. Caso contrário já teriam discutido e votado o pedido de cassação do amigo do doleiro.
Enquanto parcela considerável da sociedade assiste as agressões mutuas dos candidatos à presidência em segundo turno, os deputados protelam a decisão e mantém na casa o silêncio dos culpados. A falta de cobrança da sociedade sobre seus representantes assegura uma certa tranquilidade a todos, que fingem que estão trabalhando enquanto o povo honra seus compromissos e paga a conta nefasta desta imensa camarilha oficial do poder legislativo nacional.
Uma mão suja lava a outra mão ainda mais imunda, manchadas pela corrupção, pela formação de quadrilha, pela lavagem de dinheiro e envio de remessas irregulares a contas em paraísos fiscais e muito mais com certeza. Nem a delação premiada atinge quem deveria zelar pelas leis e a ordem.  

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