29 de setembro de 2014

Nisia Floresta

                   "As dúvidas são mais cruéis
do que as duras verdades"
   Moliére.

Dionísia Gonçalves Pinto, mais conhecida por seu pseudônimo Nísia Floresta Brasileira Augusta, foi uma educadora, poetisa e escritora nascida em Papari, no Rio Grande do Norte. Filha de um português com uma Brasileira, Dionísia incorporou para seu nome artístico o lugar onde nasceu (a fazenda Floresta), e uma lembrança de seu segundo marido, Manuel Augusto de Faria Rocha, pai de sua filha, Lívia Augusta.

Nísia dá seus primeiros passos na literatura com a publicação de uma série de artigos sobre a condição feminina em um jornal pernambucano. Logo após vai para o Rio Grande do Sul dirigir um colégio para meninas. Com o advento da Guerra dos Farrapos, Nísia se muda para o Rio de Janeiro, onde dirige os colégios Brasil e Augusto, reconhecidos pelo alto nível de ensino. Em 1849, leva a filha, que se acidentou gravemente, para a Europa, fixando-se em Paris. Em 1853, publicou Opúsculo Humanitário, uma coleção de artigos sobre a emancipação feminina.

Esteve de volta ao Brasil entre 1872 e 1875, mas pouco se sabe de sua vida nesse período. Em 1878, publica seu último trabalho: Fragments d’un ouvrage inédit: Notes biographiques. Nísia faleceu em 1885, aos 75 anos, na França. Seus restos mortais só foram trazidos ao Brasil quase 70 anos depois, em 1954, e foram enterrados no sítio onde nascera, na cidade que fora rebatizada de Nísia Floresta logo após a sua morte.

Apesar da grande importância histórica e cultural de sua obra, Nísia Floresta é pouco conhecida. “Infelizmente, a falta de divulgação da obra de Nísia tem sido responsável pelo enorme desconhecimento de sua vida singular e de seus livros considerados de grande valor”, diz Veríssimo de Melo em seu livro sobre personalidades da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras.

Nisia foi uma abolicionista militante, lutou pela instauração da república e principalmente pela igualdade dos direitos das mulheres à época. Viveu no século XIX quando a mulher não tinha direito ao voto, nem podia estudar curso superior. Nisia lutou diuturnamente pela emancipação da mulher num tempo em que o machismo era extremado e a mulher dificilmente conseguia se impor na sociedade. 

Hoje, vivemos em pleno século XXI, muito distante do tempo do Império. Temos e usufruímos de muita tecnologia, modernidade, alcance a muitas coisas para consumo e para a saúde, entretanto, não somente as mulheres, mas todas as pessoas, independente do sexo, devem muito reconhecimento a essa brasileira que lutou pela igualdade da mulher num tempo sem mídia, sem redes sociais, sem internet e sem muito glamour. Fazendo-o por sua convicção e inteligência.

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