2 de agosto de 2014

Maioridade de um viaduto inacabado em Bauru! 1993 - 2014

A base da vergonha não é algum erro
que cometemos, mas que essa 
humilhação não seja vista por todo. 
Milan Kundera

 A cidade de Bauru completou neste dia primeiro de agosto 118 anos de existência, consolidando-se como grande polo de comércio e serviços na região central do Estado de SP. Localizada estrategicamente próxima do Paraná, Mato Grosso do Sul, e da capital paulista, a cidade possui aeroporto, fica próxima do terminal intermodal da Hidrovia Tietê Paraná e é cercada por boas estradas.
Tem hoje aproximadamente quatrocentos mil habitantes, boas universidades, recebe quase 30 mil universitários de outras cidades e Estados do país. Tem entre elas a Unesp, USP (Com sua Faculdade renomada de Odontologia) e mais o inovador e eterno Centrinho que atende toda América do Sul.
Porém, como na maioria das cidades brasileiras, sempre foi administrada por políticos comuns, sendo assim, sofre com a paralisia e a falta de criatividade destes gestores públicos.
Em Bauru temos uma obra, mais precisamente um viaduto que está completando em 2014 sua maioridade – 21 anos sem que tenha sido concluído. Tendo passado neste longo período por seis gestões da administração municipal.
Não possuo a informação precisa de quanto foi dispendido com o projeto completo, com a obra no decorrer de suas paralisações e retomadas, com o custo financeiro e as muitas negociações efetuadas com várias empreiteiras nestes 21 anos.
Trata-se de uma vergonha nacional, um monumento à incapacidade e a prova cabal da ausência de vontade política dos nossos dirigentes para com a coisa pública e o erário.
Se pudéssemos colocar lado a lado todas as desculpas esfarrapadas que foram dadas à sociedade bauruense, com certeza teríamos algo maior que a própria obra em si.
Se quisermos num esforço hercúleo imaginar que exista algo de positivo nesta história, podemos dizer que em relação a tantas outras cidades do Brasil, Bauru leve vantagem na medida em que a obra não se transformou num elefante branco abandonado, mas que resiste e pode a qualquer tempo ligar duas regiões da cidade sem limites.
No momento em que escrevo este texto, o viaduto poderia estar sendo inaugurado, porém ficamos sabendo que a obra está novamente paralisada por conta da Empreiteira Bema Construções além de atrasar os pagamentos dos seus empregados está abrindo “mão” dos serviços de alta complexidade.
Explicando melhor: A empresa Bema não quer fazer o sistema de drenagem e o ground (Junção entre os vãos do viaduto).  Tudo isso deveria constar da licitação, mas no Brasil nem as leis, nem o que parece certo, pode ser considerado transparente e exato.
Quase ao final da obra, depois de 21 anos, uma empresa alega uma questão que até o mais inocente sabe tratar-se de outra evidência de que jogaram o valor muito baixo na licitação e agora perceberam que não conseguem cobrir as despesas para poderem auferir um lucro que esperavam antes das máquinas começarem o trabalho.
Vamos aguardar os desdobramentos, outras negociações, licitações para fechamento dos vãos e do ground, enfim, quem sabe Bauru possa inaugurar o Viaduto quando completar 50 anos – Bodas de Ouro da negligência e da incompetência do Poder Público.


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