28 de junho de 2014

Por que não achei a punição severa?

“O erro acontece de vários modos,
enquanto ser correto é possível
apenas de um modo”. Aristóteles
        
 O jogador Luis Suárez do Liverpool da Inglaterra e Seleção do Uruguai mordeu pela terceira vez em sua carreira um adversário dentro de campo. Desta vez na Copa do Mundo no Brasil, perante 42 mil pessoas na Arena das Dunas no RN e de bilhões de telespectadores em vários países do planeta.
Infelizmente, no lance da partida o jogador com hábito canino não foi punido com cartão vermelho pelo desatento árbitro mexicano. Deveria ter sido expulso como qualquer outro atleta que comete uma agressão dentro de uma partida de futebol.
Entretanto, o Comitê Disciplinar da FIFA na Copa do Mundo julgou a agressão do jogador e o puniu de forma exemplar, levando em conta que ele já havia feito a mesma coisa quando jogador do Ajax da Holanda e do seu atual clube Liverpool da Inglaterra. Logo ele foi punido com 9 jogos pela seleção do Uruguai e não poderá jogar pelo seu clube por quatro meses.
O fato correu o mundo e já traz prejuízos aos cofres do jogador, pois além da multa a ser paga, ele perdeu um de seus patrocinadores particulares e levou uma advertência da patrocinadora de seu material esportivo pessoal – Adidas.
Aqui no Brasil, em particular no meio esportivo, nossos cronistas como sempre acharam a pena imposta ao jogador rigorosa. Ficaram lamentando a ausência do mesmo nos jogos futuros do Uruguai na Copa do Mundo do Brasil, e, pasmem, alguns defenderam a pena de dois a três jogos ao atleta.
Eu, cansado de viver num país onde as penas são brandas, onde criminosos vivem uma vida de crime que compensa, pois não são presos, quando o são, podem recorrer a subterfúgios das leis como Progressão e Redução de penas, indultos, cumprimento de um terço da pena, pena máxima de 30 anos e até Auxilio Reclusão, achei sensacional que aja em algum lugar rigor na aplicação das punições.
Na esfera esportiva assistimos no nosso futebol, jogadas violentas, lances criminosos, corrupção praticada por dirigentes inescrupulosos e os protagonistas pegam penas leves e ou não são punidos. Clubes fraudam, sonegam impostos, nada acontece, mas quando a FIFA impõe pena severa todos reclamam?
Um jogador de futebol que joga num dos maiores clubes do mundo, convocado para sua seleção para um mundial, jogando diante de bilhões de pessoas, resolve dar uma mordida num companheiro de profissão e não quer ser punido? E o pior é que o exemplo correu o mundo para jovens que viram o lance. Futebol não é isso, futebol é um esporte e desta forma precisa ser tratado, porém, não podemos descartar que neste esporte são investidos uma soma obscena de dinheiro de clubes, patrocinados, federações, torcedores, consumidores etc.
Se quer brincar de morder, que vá faze-lo bem longe dos gramados de futebol. Que o exemplo de severidade punição da FIFA persista, que seja exemplo para outras situações, quando jogadores de futebol quiserem nos brindar com mais violência do que já temos em nosso cotidiano.

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