5 de novembro de 2013

Privatizações e suas mazelas!

O artigo foi publicado no Jornal Valor Econômico, onde a empresa omite que ao ser adquirida em privatização patrocinada por Geraldo Alckmin em 2006 ela recebeu de bônus R$ 600 milhões em caixa. Culpar os ex-empregados aposentados pela Lei 4819/58 é querer mascarar a realidade e a incompetência administrativa da empresa ISA da Colômbia que comprou àquela que sempre foi a melhor empresa de Transmissão de Energia do país. Leia o texto e veja a desculpa ao final.

A Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Cteep), que foi privatizada em 2006 pelo governo paulista, surpreendeu negativamente o mercado ao retirar do armário um esqueleto de meio bilhão de reais. Após reconhecer perdas contábeis de R$ 516,2 milhões, a empresa terminou o terceiro trimestre com um prejuízo líquido de R$ 245,3 milhões.

As perdas referem-se a créditos devidos pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz), relativos ao pagamento de complementações de aposentadorias pagas pelo fundo de pensão dos funcionários públicos estaduais (Lei 4.819/58).

A "faxina" assustou os investidores. As ações da Cteep fecharam ontem em baixa de 5,1%, a R$ 31,73, enquanto o Ibovespa recuou 0,97%. Em outubro, os papéis da transmissora de energia acumulam uma desvalorização de 8,43%, na contramão do principal índice da bolsa, que subiu 4,2%.

Reynaldo Passanezi, que assume amanhã a presidência executiva da Cteep, após passar um ano na diretoria financeira, afirmou que a empresa tomou a decisão de fazer a provisão em seu balanço após uma série de movimentos processuais ao longo deste ano. Mas, segundo ele, a Cteep não desistiu de receber os valores devidos pelo Estado de São Paulo e ainda prevê vencer a disputa nos tribunais.

A empresa, que opera 13,7 mil quilômetros de linhas de transmissão e transportam quase 100% da energia consumida no mercado paulista, foi obrigada a rever suas expectativas. Seus assessores jurídicos acreditam que vai demorar muito mais tempo para que esses créditos contra a Secretaria da Fazenda do Estado sejam quitados. Isso levou a Cteep a optar por provisionar as perdas.

Nas demonstrações financeiras, o efeito líquido foi uma perda contábil, não recorrente, de R$ 341 milhões no terceiro trimestre. Se excluído esse prejuízo, a Cteep fecharia o trimestre com um lucro de R$ 95,4 milhões na última linha do balanço, disse Passanezi. Em reunião com analistas, o executivo buscou tranquilizá-los, ao mostrar que o desempenho operacional e financeiro da Cteep continua sólidos. Mas o mercado reagiu mal aos números da companhia.

A Cteep, que é controlada pelo grupo colombiano ISA, considera que o Estado deveria ser responsável pelas complementações pagas aos funcionários que se aposentaram quando a companhia não havia sido ainda privatizada.

Por Claudia Facchini - São Paulo – Valor Econômico – 30/10/2013

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