23 de maio de 2012

Brasil ainda não chegou ao século XXI

"Você é livre para fazer suas escolhas,
mas é prisioneiro das consequências."
Pablo Neruda

Às vezes me pego pensando se realmente o nosso relógio do tempo está mesmo em sintonia com o restante do planeta. São algumas situações não tão pontuais, mas sim, recorrentes que me fazem sentir medo, preocupação com gerações futuras e na maioria das vezes vergonha de ser brasileiro.

Um cidadão entra numa aeronave para fazer um vôo regional no aeroporto de Confins em Minas Gerais e ao ver uma mulher como comandante do avião que o matuto iria fazer sua viagem, começa a gritar e diz que não viajaria enquanto não tirassem “aquela” mulher da cabine de comando.

Sim, ele não viajou mesmo, foi tirado pela segurança do Aeroporto e a aeronave seguiu seu voo tranquilamente sem que nenhum problema houvesse pelo fato de ter uma mulher ao seu comando. Da onde surgiu este ser Neandertal? Seria um fóssil vivo do século XVI? Último machista a gritar em defesa da sua espécie em extinção?

Uma boa parcela das mulheres brasileiras sofre preconceito profissional, tem salários inferiores aos praticados para com os empregados do sexo masculino e ainda são agredidas e mortas como se estivéssemos na idade média.

Outro fato que revolta e entristece a maioria dos brasileiros é o racismo que ainda sobrevive na vida do nosso país multirracial. Num bar no bairro paulistano do Brás, três rapazes e uma moça de Angola, conversavam até que alguns anencéfalos resolveram agredi-los verbalmente e depois fisicamente os jovens angolanos.

Eles foram chamados de “macacos” e outros adjetivos racistas, até que um deles sacou uma arma e atirou para matar a estudante inocente que estava com os rapazes.

Que intolerância racial é essa numa nação formada por negros africanos, brancos europeus, índios e asiáticos num arco-íris de rara beleza mundial? Que violência gratuita é esta que faz de uma mesa de bar um risco à vida? Quanta impunidade, ignorância e desperdício de vidas.

O Brasil precisa se reinventar a partir de seus erros e acertos, urgem que país invista recursos em educação de qualidade e punições rigorosas transformando as penas em espelhos de uma sociedade que não pode mais tolerar tanta agressão, violência e intolerância em seu seio.

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