18 de setembro de 2011

Repartições públicas e os seus talibãs

Em pleno século XXI ainda convivemos com coisas absurdas no nosso país, saúde pública precária, educação aquém do mínimo desejado, ausência de segurança pública, maiorias das cidades convivendo sem esgoto tratado e com dificuldade na captação e tratamento de água potável, enfim, coisas que se esperava não ter de enfrentar após o fim do século XX.

O analfabetismo ainda não está erradicado no Brasil, e o que é pior, está formando gerações de semialfabetizados que vão ter inúmeras dificuldades de se estabeleceram profissionalmente a cada dia que avançamos século XXI adentro.

O poder público é a razão deste desvio completo de rumo do nosso país, pois não aplicam os trilhões de recursos obtidos com impostos e receitas variadas em ações concretas para que o país possa evoluir e acompanhar os chamados países do primeiro mundo.

Neste sentido percebemos que além da corrupção entranhada em todos os segmentos que lidam com dinheiro, poder e outras vantagens, temos outro grande problema a enfrentar e não é mais fácil de ser resolvido ou erradicado. Trata-se da resistência a mudanças comportamentais e até físicas nas estruturas carcomidas dos nossos setores públicos.

A estrutura hierárquica dos setores públicos data de centenas de anos, suas matrizes foram herdadas dos tempos idos da administração pública. Temos mais chefes do que empregados em algumas áreas do serviço público. Cada qual com seu gabinete, sua secretaria, seu mundinho de poder absoluto para quase nada.

As salas de chefetes se multiplicam no setor público como se fossem Gremlins, personagens de filme de ficção científica e que se multiplicavam com a água e também não gostavam da luz forte. A luz do Sol podia matá-los também.

Esta enorme segmentação atrapalha o crescimento profissional dos funcionários interessados em desenvolver suas habilidades. Dificulta o acesso da população as informações e as pessoas dentro das instalações públicas, bem como, beneficia a falta de transparência das ações dos governantes.

As informações são truncadas dentros destes feudos que normalmente são verdadeiros Talibãs > movimento fundamentalista islâmico nacionalista que se difundiu no Paquistão e, sobretudo, no Afeganistão, a partir de 1994.

Os projetos importantes são abortados, na medida em que não são discutidos pelos envolvidos. As chefias ficam isoladas e em salas fechadas e os empregados cerceados de opinarem democraticamente e crescerem profissionalmente.

É preciso que a adminsitração pública cresça, derrube suas pontes, dinamite muros e biombos, deixe os ambientes livres, sem salas para chefias, apenas com salas de reuniões para assuntos de sigilo eventuais. É preciso quebrar paradigmas, liberar acesso à informação, priorizar transparência de ações e de comportamento.

Não basta informatizar, mas sim é preciso democratizar o espaço e transformar chefes e assessores em parceiros pró-ativos das equipes de trabalho. Formar equipes multidisciplinares desvinculadas de política partidária e outros interesses menores dos responsáveis pelas autarquias, órgãos públicos e diversos setores da administração pública.

É preciso ainda que na entrada de cada repartição pública tenha em destaque para qualquer cidadão um organograma do órgão, nome e localização das pessoas por assunto. Quem fica escondido é caramujo e ostra no fundo dos cascos dos navios, funcionário do povo tem de estar sempre à disposição de quem mais precisa de suas informações e serviços.

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